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A Copa do Mundo e a Psicologia das Massas: a visão de Freud sobre o sentimento de pertencimento coletivo

Você já se perguntou por que, durante a Copa do Mundo, pessoas desconhecidas se abraçam, cantam juntas e compartilham emoções como se formassem um único corpo coletivo?

Ou por que, em meio a diferenças sociais tão marcantes, o ato de torcer parece suspender essas distinções e produzir uma sensação temporária de unidade?

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O sentimento de pertencimento coletivo é um dos fenômenos mais evidentes em grandes eventos esportivos, especialmente na Copa do Mundo de Futebol. Nesse contexto, indivíduos de diferentes origens passam a compartilhar símbolos, emoções e narrativas comuns, formando uma identidade coletiva momentânea que transcende o cotidiano.

Esse processo não se restringe ao campo esportivo, mas envolve dimensões psíquicas ligadas à necessidade humana de reconhecimento, identificação e vínculo.

Durante a Copa, elementos como a bandeira, o hino, as cores da seleção e os rituais de torcida funcionam como organizadores simbólicos que intensificam a coesão social, ainda que de forma transitória.

Compreender esse fenômeno exige uma articulação entre o social e o psíquico, permitindo analisar como grupos se organizam afetivamente em torno de objetos comuns de investimento emocional.

Nesse sentido, a teoria psicanalítica de Sigmund Freud contribui de forma decisiva, especialmente em sua reflexão sobre a psicologia das massas e os processos de identificação.

Em Psicologia das Massas e Análise do Eu, Freud descreve como a participação em um grupo implica uma reorganização do eu, com o enfraquecimento relativo das fronteiras individuais e o fortalecimento dos laços de identificação coletiva.

No caso da Copa do Mundo, a seleção nacional torna-se um objeto simbólico de investimento afetivo compartilhado, sustentando identificações horizontais entre os sujeitos e verticais com um ideal comum.

Esse tipo de análise é central na formação em Psicanálise e Psicologia, ao permitir a compreensão dos fenômenos psíquicos em sua articulação com o social e o cultural, indo além de suas manifestações aparentes.

O que é o sentimento de pertencimento?

O sentimento de pertencimento pode ser compreendido como a experiência subjetiva de fazer parte de um grupo no qual o sujeito se reconhece e é reconhecido. Trata-se de uma necessidade psíquica estruturante, diretamente ligada à constituição da identidade e à regulação emocional.

Na perspectiva psicanalítica, o pertencimento não é apenas uma experiência social, mas um processo inconsciente de vinculação ao outro, fundamental para a formação do eu. Assim, pertencer é também se constituir psiquicamente a partir das relações estabelecidas com grupos, figuras de identificação e ideais coletivos.

A pós-graduação em Psicanálise e Psicologia contribui para aprofundar essa compreensão ao oferecer ferramentas teóricas e clínicas para analisar como tais vínculos se formam, se sustentam e influenciam o comportamento individual e coletivo.

A importância do pertencimento em eventos coletivos

Eventos como a Copa do Mundo evidenciam a centralidade do pertencimento na vida social contemporânea. Em um contexto marcado por individualização e fragmentação das relações, esses momentos funcionam como espaços privilegiados de reorganização simbólica do coletivo.

Entre os principais efeitos desse pertencimento coletivo, destacam-se:

  • Fortalecimento de vínculos sociais temporários;
  • Sensação de unidade nacional ou cultural;
  • Redução de sentimentos de isolamento;
  • Ampliação da expressão emocional compartilhada;
  • Reforço de identidades sociais e imaginárias.

Esses fenômenos são amplamente discutidos na formação em Psicanálise e Psicologia, especialmente no que se refere à compreensão dos grupos, das massas e dos processos de identificação que atravessam o sujeito em diferentes contextos sociais.

Freud e a psicologia das massas

Freud, ao analisar a psicologia das massas, descreve como o indivíduo, ao integrar um grupo, pode deslocar parte de sua autonomia psíquica para uma identificação com um ideal coletivo. Esse processo não elimina o sujeito, mas reorganiza temporariamente suas referências internas.

Nas massas, os afetos tendem a se intensificar, a crítica individual pode ser reduzida e os vínculos emocionais ganham centralidade. Isso ajuda a compreender por que eventos como a Copa do Mundo mobilizam emoções tão intensas, mesmo em indivíduos que não participam diretamente da competição.

Esses conteúdos são aprofundados na especialização em Psicanálise e Psicologia, que articula os fundamentos freudianos com suas releituras contemporâneas, ampliando a compreensão dos fenômenos grupais e suas manifestações na atualidade.

Identificação e laço social na Copa do Mundo

A identificação é um dos mecanismos centrais para compreender o sentimento de pertencimento durante a Copa. Freud a descreve como um processo estruturante do psiquismo, por meio do qual o sujeito se constitui a partir da incorporação de traços do outro.

Durante a Copa do Mundo, esse processo ocorre em diferentes níveis:

  • Identificação com outros torcedores;
  • Identificação com jogadores e ídolos esportivos;
  • Identificação com símbolos nacionais;
  • Identificação com narrativas de vitória, superação e pertencimento.

Esses mecanismos contribuem para a formação de um laço social intensificado, no qual o indivíduo experimenta a sensação de fazer parte de algo maior do que sua existência isolada.

Na pós-graduação em Psicanálise e Psicologia, tais processos são analisados de forma aprofundada, permitindo ao profissional compreender como os vínculos simbólicos e afetivos estruturam tanto a subjetividade quanto os fenômenos coletivos.

Os desafios da compreensão psíquica do coletivo

Embora o pertencimento seja fundamental para a vida social e psíquica, ele também pode se apresentar de forma ambivalente. Freud aponta que as massas podem favorecer processos de idealização e redução da crítica individual, o que pode levar a formas de adesão acrítica a discursos e símbolos.

Nesse sentido, compreender a dinâmica psíquica dos grupos é essencial para a atuação profissional em Psicologia e Psicanálise, especialmente em contextos clínicos, institucionais e sociais.

A formação em pós-graduação em Psicanálise e Psicologia oferece justamente esse instrumental teórico e clínico para analisar as dinâmicas inconscientes que atravessam o sujeito em relação ao coletivo.

Conclusão

O sentimento de pertencimento vivenciado durante a Copa do Mundo revela a profundidade dos vínculos psíquicos e sociais que estruturam a experiência humana.

Mais do que um evento esportivo, a Copa se configura como um fenômeno simbólico e emocional que mobiliza processos de identificação, idealização e investimento afetivo descritos por Freud.

A partir dessa perspectiva, compreende-se que o pertencimento não é apenas uma experiência social, mas uma dimensão fundamental da constituição do sujeito.

Nesse sentido, a pós-graduação em Psicanálise e Psicologia se apresenta como um espaço privilegiado de formação para profissionais que desejam aprofundar a compreensão dos processos inconscientes que atravessam tanto o indivíduo quanto os fenômenos coletivos, ampliando sua atuação em diferentes contextos clínicos, institucionais e sociais.

 

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Cristiana Maria di Primio Gonçalves

Graduada em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo. Especializada em Gestão Estratégica Empresarial e em Consultoria de Recursos Humanos pela Associação Brasileira de Recursos Humanos - ABRH. Mestre em Administração de Organizações pela Universidade de São Paulo - FEA/USP. Reconhecida e premiada na área de Gestão de Pessoas. Atuante no campo de Administração de Recursos Humanos. Experiência profissional como Docente na disciplina de Psicologia Aplicada à Administração na Universidade de Passo Fundo e como Professora e Orientadora na disciplina de Jogos de Negócios na Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas - FGV. Capacitada em Mediação e Conciliação de Conflitos pelo Instituto Conversações. Atuante como Professora/Tutora de disciplinas da Graduação e da Pós-Graduação na Faculdade Metropolitana, nas áreas de Gestão, Administração, Psicologia e Neuropsicologia.

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