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Imagem de duas crianças brincando na sala.

Conceito, o que é, estágios e autores na Psicologia do Desenvolvimento

A Psicologia do Desenvolvimento é um campo de conhecimento da Psicologia que trata das transformações pelas quais os seres humanos passam em suas vidas.

É um área multidisciplinar que absorve uma enormidade de conceitos de outras ciências, como a biologia e a medicina. Por isso, é muito complexa, visto que exige um conhecimento amplo daquele que se debruça sobre seus meandros.


Aqui, desenvolvemos um guia descomplicado sobre os aspectos da Psicologia do Desenvolvimento, apontando seus principais conceitos, teorias e descobertas. Acompanhe!

O que é a Psicologia do Desenvolvimento?

A Psicologia do Desenvolvimento é uma ramo que busca compreender os processos de transição pelos quais passam os seres humanos no decorrer de suas vidas.

Para os estudiosos, todas as pessoas passam por momentos de alterações e mudanças internas. Assim, alguns deles acarretam modificações interiores significativas. São os chamados períodos de transição rápida, isto é, as passagens entre a infância, adolescência e vida adulta.

A Psicologia do Desenvolvimento infantil

Uma das principais contribuições da Psicologia do Desenvolvimento é para o processo de ensino-aprendizagem. A possibilidade de construir vínculos mais construtivos entre educadores e alunos auxilia e muito no processo pedagógico. Por isso, estudar o o desenvolvimento infantil pareceu um caminho natural a se seguir.

Assim, os primeiros estudos focaram bastante no desenvolvimento de crianças e adolescentes e, até hoje, é fácil constatar uma predileção por pesquisas com esse tipo de objeto. Em se tratando de desenvolvimento psicológico infantil, quem se destaca é Piaget. Para ele, os avanços cognitivos se estabelecem no conflito entre aprendizados.

O biólogo focou sua atenção nos primeiros estágios de vida de crianças, formulando a tese de que a construção do conhecimento se dá pela busca de equilíbrio. Ao entrar em contato com o mundo exterior, a pessoa aprende e assimila novas informações, que farão parte da sua bagagem cultural. Posteriormente, há a fase de acomodação, em que essas informações serão colocadas em confronto com outras já aprendidas. Daí surgem novos conhecimentos.

Piaget para família: 4 estágios do desenvolvimento infantil

Para Piaget, os avanços cognitivos ocorriam em quatro estágios do desenvolvimento infantil:

Imagem de uma mulher encostando na mão de um bebe, onde na frente tem-se uma mesa com brinquedos.

  • Período sensório-motor: vai até os 2 anos de idade. É marcado pelos aspectos mais fisiológicos do bebê, mas termina com ele já conseguindo se diferenciar do corpo da mãe;
  • Período pré-operatório: compreende a fase dos 2 aos 7 anos, em que acontece o desenvolvimento da fala e a capacidade de expressar desejos e emoções através de palavras;
  • Período operatório completo: dos 7 aos 11 anos. Marcado por uma atitude menos egocêntrica e pela capacidade de construção de um lógica para explicar o ambiente à sua volta;
  • Período operatório formal: começa na adolescência e simboliza a capacidade de reflexão, de entender e se portar no mundo por meio de hipóteses e teses particulares e complexas.

Psicologia do desenvolvimento na adolescência

Os adolescentes exploram algumas questões existenciais nesse momento, ainda que de forma inconsciente. Assim, a adolescência representa o início do comprometimento moral como propósito de vida, de acordo William Damon. Para Erik Erikson, essa etapa marca a construção da identidade moral e social do indivíduo.

Durante seu desenvolvimento, o adolescente passa por três períodos:

  • Adolescência precoce – de 9 a 13 anos
  • Adolescência média – de 13 a 15 anos
  • Adolescência tardia – de 15 a 18 anos

Assim como na infância, a adolescência é um fase de experimentação, dúvidas e confusões de papéis e identidades. É uma fase em que a pessoa assume o medo de fracassar no futuro frente às decisões tomadas no agora.

Qual a finalidade e conceito da Psicologia do Desenvolvimento?

Desde o surgimento da disciplina, os psicólogos do desenvolvimento tentam responder a uma questão fundamental. Seu objetivo é identificar como o indivíduo se modifica, se transforma ou evolui. Mais ainda, eles buscam entender quais forças são responsáveis por apertar o gatilho dessas mudanças.

Dessa forma, há uma linha de estudo apontando que os seres humanos são conduzidos à transformação como resultado de um cabo de guerra entre o que se chama de variáveis externas e internas. Mas essa vertente de pensamento era vista como incompleta, já que as mudanças aconteciam não só nos momentos de transição rápida, mas também em outras fases da vida.

Por isso, a corrente mais aceita na atualidade foi desenvolvida pelo biólogo Jean Piaget. Para ele, o desenvolvimento humano é sempre marcado de uma fase de menor equilíbrio para outra de maior equilíbrio. Isso quer dizer que o motor que faz o ser humano evoluir é a busca pela estabilidade, seja emocional ou social.

Por sua vez, o conceito de Psicologia do Desenvolvimento ainda carece da delimitação do seu escopo de estudo. Historicamente, ele se desenvolvia tendo como base as crianças e os adolescentes. Mas, com o entendimento de que as questões ligadas ao desenvolvimento também são da ordem do mundo adulto, o enfoque se ampliou. Ou seja, a Psicologia do Desenvolvimento precisou buscar respostas e apoio na sociologia, na medicina e na biologia, por exemplo.

Dessa maneira, as diferentes abordagens sobre o que significa desenvolvimento humano nas diferentes áreas do conhecimento dificultam a proposição de um conceito fechado, o que leva muitos estudiosos a afirmarem que a Psicologia do Desenvolvimento deveria se tornar um campo autônomo e independente da psicologia.

Qual a importância da Psicologia do Desenvolvimento?

A Psicologia do Desenvolvimento é uma corrente que atua como base na construção e no aperfeiçoamento dos indivíduos. Ao estudar as fases de desenvolvimento humano, é possível apontar comportamentos positivos e prejudiciais.

imagem de duas mãos ilustrando que esta pegando um celebro.

Com isso, pode-se propor melhorias e corrigir erros nos diversos processos pedagógicos que cercam as pessoas em todas as suas fases de vida. A Psicologia do Desenvolvimento, principalmente, pode servir como importante instrumento no processo de ensino/aprendizagem de crianças e jovens. A partir disso, permite a construção de um relacionamento mais produtivo entre educadores e estudantes.

Ainda, esse campo do conhecimento pode embasar políticas governamentais de promoção da saúde, solidificar as políticas educacionais e contribuir significativamente com o bem-estar e com a qualidade de vida da população.

Quais os campos de discussões na Psicologia do Desenvolvimento?

Os campos de discussão nessa área são variados, já que esse ramo de conhecimento é permeado por fatores diversificados. Então, há aspectos afetivos, sociais e biológicos influenciando a equação.

No passado, as avaliações davam conta de que as mudanças eram desencadeadas só por variáveis internas ou apenas pelas externas. Porém, essa tese foi superada pelo consenso de que ambas têm poder sobre as transformações do indivíduo.

Dessa forma, as variáveis internas seriam as expressões genéticas. Por outro lado, as externas são caracterizadas pelas pressões que o ambiente exerce sobre o ser humano. Por isso, para entender toda a complexidade de fatores que compõem cada variável, é necessário recorrer a diversos campos de discussão e áreas do conhecimento.

Principais teóricos e abordagens da Psicologia do Desenvolvimento

As abordagens mais contemporâneas partem do estudo da aprendizagem e do conhecimento. Ele aponta que o conhecimento é criado a partir de uma construção interna em que informações, dados e conhecimentos já adquiridos entram em conflito com novas ideias para criar um novo conhecimento. Por sua vez, a aprendizagem seria provocada, ou seja, causada por eventos, situações e experiências externas.

>> Conheça a: Psicologia da Educação, entenda a importância e abordagens

Dessa forma, as escolas a seguir levam em consideração esses parâmetros para formular seus preceitos:

Gestalt e o aprendizado limitado

Para a Gestalt, pequenos detalhes do comportamento humano poderiam revelar sentimentos latentes. Essa corrente, então, acredita que a soma das partes significavam mais que o todo.

Além disso, compreende que, ao longo do seu desenvolvimento, o indivíduo aprendia a utilizar as ferramentas de aprendizado com as quais havia nascido. Ou seja, não tinham a capacidade de aprender mais e melhor – isso foi refutado posteriormente.

Teoria psicanalítica de Freud

A teoria Psicanalítica, de Sigmund Freud, aponta que boa parte do comportamento humano é assumida pelo inconsciente, propondo, ainda, que este é profundamente afetado pelas questões afetivas.

Para Freud, a psicologia da mente humana pode ser dividida em ego, id e superego. Enquanto o ego seria a parte responsável pelas relações com o ambiente e com outros indivíduos e seres, o id representa o inconsciente, que busca prazer de forma quase incondicional. Ego e Id estão em oposição constante, sendo controlados e mediados pelo superego.

Para Freud, o desenvolvimento humano está em função de satisfação, que é direcionada para a libido. Por isso, em cada fase, a pessoa se concentra em partes do corpo, procurando inconscientemente formas de acessar sensações de prazer.

Behaviorismo

O Behaviorismo acredita que o comportamento humano é mediado pela relação estímulo-resposta. Dessa forma, o estímulo é uma ação que provoca algum distúrbio no ambiente, alterando sua configuração normal. Por sua vez, a resposta é uma transformação realizada pela pessoa em função do estímulo.

O Behaviorismo deu grande contribuição à ciência provando ser possível alterar o comportamento, ainda que recebendo o mesmo estímulo.

Lev Vygotsky

Lev Vygotsky é representante da Psicologia Cognitiva, que acredita que os seres humanos constroem a própria realidade externa e interna a que experimentam.

Essa construção se dá a partir da interação do indivíduo com o ambiente externo e com o seu contexto histórico.

Fatores que influenciam o desenvolvimento humano

De acordo com as teorias propostas até hoje e com as descobertas dos estudiosos, há ao menos quatro fatores que influenciam o desenvolvimento humano:

  • Fator genético: são os genes transmitidos pelos ascendentes, ou seja, os fatores hereditários podem se manifestar ou não de acordo com o ambiente no qual o indivíduo está inserido;
  • Fator de crescimento orgânico: corresponde ao desenvolvimento físico da pessoa;
  • Fator da maturação neurofisiológica: aponta o desenvolvimento de capacidade de interação diversa com o ambiente, seja através do falar ou do andar;
  • Fator ambiente: caracterizado por representar todos os fatores externos que impactam e influenciam o comportamento do ser humano.

3 Livros sobre Psicologia do Desenvolvimento

Os livros a seguir se aprofundam no conceito da Psicologia do Desenvolvimento apresentando com mais riqueza as nuances de sua construção e desenvolvimento:

  • “Conceitos e Teorias sobre o Desenvolvimento Humano”, de Richard M;
  • “Ciência do Desenvolvimento: Um livro-texto avançado”, de Marc H. Bornstein;
  • “A Psicologia do Desenvolvimento no Brasil: Tendências e Perspectivas”, de Seidl de Moura e Moncorvo.

Até aqui você pôde conferir os principais preceitos e fatores que norteiam as teorias do desenvolvimento humano na Psicologia, além de entender suas principais teorias e conhecer os teóricos mais influentes da disciplina.

>> Agora que você compreendeu a importância da Psicologia do Desenvolvimento para os processos pedagógicos, te convidamos para ir mais afundo no tema e descobrir como funciona a psicomotricidade para aprendizagem na educação infantil.

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Até a próxima!

Cristiana Maria di Primio Gonçalves

Graduada em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo. Especializada em Gestão Estratégica Empresarial e em Consultoria de Recursos Humanos pela Associação Brasileira de Recursos Humanos - ABRH. Mestre em Administração de Organizações pela Universidade de São Paulo - FEA/USP. Reconhecida e premiada na área de Gestão de Pessoas. Atuante no campo de Administração de Recursos Humanos. Experiência profissional como Docente na disciplina de Psicologia Aplicada à Administração na Universidade de Passo Fundo e como Professora e Orientadora na disciplina de Jogos de Negócios na Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas - FGV. Capacitada em Mediação e Conciliação de Conflitos pelo Instituto Conversações. Atuante como Professora/Tutora de disciplinas da Graduação e da Pós-Graduação na Faculdade Metropolitana, nas áreas de Gestão, Administração, Psicologia e Neuropsicologia.

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